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26/05 – 28/07 2018


vc quer saber do show . O que que vai ser ... boa pergunta. 
É a minha primeira exposição na sala principal da galeria . Eu vou usar os dois espaços, A sala do fundo também . O que é muito legal.  O show tem muito de um descontrole não só meu, mas do mundo, mesmo. Tem uma temperatura meio apocalíptica do meu estúdio misturado com as minhas últimas exposições e o que ficou delas.  Falo sobre o Brasil, em especial sobre São Paulo ( cidade fervendo ! ) , sobre Arte, assuntos  que talvez eu até gostasse de me ver livre, mas é impossível. Não vejo como não ter todos os pés mãos cabeça e corpo todo  nessa escuridão doida que é o HOJE. Na verdade eu acho esse tempo Bem interessante. Muita coisa boa tem saído daí e vem mais.  O nome da expo é We Chose Life . What Now, Georg? Tshirts ?
talvez eu tenha que dar uma corrigida nesse título, sou péssimo em algumas construções linguísticas hahah . Mesmo em Português... Lembra ( talvez não... vc é jovem..quando O George Michael 
aparecia em 1984 no videoclip de "Wake me up before you go go". usando uma camiseta branca escrito CHOSE LIFE . Então : o título do show vem daí. Escolher estar vivo, lutar para poder ser do jeito que eu quiser, e estender esse direito não só pra mim, ... enfim, eu vejo esse momento ,  onde parece que a gente tá voltando 50 anos pra trás , careta, cheio de regras, gente querendo cura gay, ditadura, extremistas nas ruas gritando abertamente contra minorias ( tão ridículo chamar gays, lésbicas, pretos, travestis , trans , artistas e etc.... de “minoria” num país como Brasil hahah ), pessoas como eu : bixa e artista hahah... enfim meu amigo: o título do show chama nós todos pra um grande E AGORA ? A GENTE TEM QUE FAZER ALGUMA COISA. Esse meu  alguma coisa, não tem nenhuma bandeira específica. Tem um monte delas. Penso num diálogo limpo sem ações nem re-ações pré concebidas .... O que é muito difícil. Acho que a gente pode incluir o famoso “Art System “( termo pesado haha ) ... todo mundo tá no mesmo barco , no mesmo lugar, seja curador, galerista , artista..

Fisicamente falando, essa exposição é muito sobre o que acontece no meu estúdio . Não tenho uma explicação racional para isso... por agora... acho que isso leva tempo .. 
Eu vou pro meu studio. 
Ouço música . Eu posso até dizer que essa exposição tem uns temas :" I 'll Keep On Holding On"
das Marvelettes tá na minha cabeça desde o final do ano passado... um vício louco. Começou da mesma maneira que " Up the Hill Backwards " do Bowie quando eu tava numa residência em Cologne, 15 graus negativos, o joelho meio quebrado e a sensação de que "opa , fodeu ". Na música das meninas tem essa paciência malvada "No matter where you run, boy No matter where you hide, boy
      Oh you'll never get away, boy... " ... hahaha que era e é um pouco o jeito que eu vejo e vivo o mundo hoje. Não tá fácil pra ninguém , todo mundo sabe..... Mas eu sigo aqui.

Eu vou mostrar uma série de esculturas que eu chamo de  “máscaras”. . Elas são feitas de uma quantidade gigantesca de materiais. Tem uma coisa interessante aqui : eu não fiz nenhuma pesquisa a priori sobre máscaras ritualísticas mas elas têm uma coisa bem misteriosa. Ficam entre o totalmente mundano, o lixo ( um dos clichês sempre atribuído ao meu trabalho que ... na verdade eu acho um equívoco... a noção do que é LIXO é uma coisa bem peculiar.... ) e o quase religioso.

Tem uma outra coisa legal nesse show ... eu  uso alguns trabalhos de outros artistas da minha geração como start pra falar da cidade e de como ela mudou.  Uma certa tensão entre diferentes pesos , temperaturas, enfim, a natureza dos materiais que eu uso como mármore, bronze, tecido ou TUDO QUE TAVA NO CHÃO DO MEU ESTUDIO é um dos braços do show. O show é bem físico. Cada escultura conta uma história que  misturada ás outras, forma um quebra cabeça nada linear. Mas  tem uma historia aqui. Eu não faço exposição chata. Essa é a única certeza. 

Adriano Costa (1975, São Paulo) vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Suas exposições individuais recentes incluem: 
wetANDsomeOLDstuffVANDALIZEDbyTHEartist, Kölnischer Kunstverein, Cologne (2018); B A  I   L    E, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2018); DearMeatCutsDevilMayCry, David Kordansky Gallery, Los Angeles (2016); Every Camel Tells a Story, Mendes Wood DM, São Paulo (2015)
Suas obras também foram inclusas em recentes mostras coletivas institucionais como Everyday Poetics, Seattle Art Museum, Seattle (2017); Frucht & Faulheit, Lothringer13 Halle, Munique (2017);  IMAGINE BRAZIL, Astrup Fearnley Museet, Oslo & Musee D’Art Contemporain de Lyon, França (2014).

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