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Alphabet of The Magi

03/09 2012 – 06/10 2012


Alphabet of the Magi (Alfabeto dos Magos) foi criado pelo suíço Paracelsus, – médico, alquimista e filósofo do ocultismo do século 16 – como um alfabeto real para gravação de nomes angélicos em talismãs. Os artistas nesta exposição desenvolveram sua própria linguagem coerente no que diz respeito à definição do que é essencialmente indefinível: a alquimia visual, não do tipo que se prepara em um laboratório, uma alquimia do pensamento, de símbolos, tarô como arte divinatória, mapeando a linguagem secreta dos arcanos revelada através não apenas da leitura de uma imagem, mas se tornando a imagem. Desafiando as idéias tradicionais do esotérico, Alphabet of the Magi busca uma codificação pessoal de transcendentalismo, que não apenas descreva ou tente alterar a realidade, mas que forme uma nova realidade inventada pelo artista na eterna busca da pedra filosofal.

Esta exposição surgiu a partir de uma conversa que Pedro Mendes e eu tivemos em novembro do ano passado a respeito da obra do artista brasileiro Tunga – que tinha recentemente se juntado ao programa da galeria – e sua consonância filosófica e visual com a obra de Jodorowsky; a obra deste estava em minha mente nesta mesma época, uma vez que eu tinha acabado de conhecê-lo em New York. Comecei a refletir sobre as frequentes referências à alquimia no trabalho de Tunga e me perguntava se ele conhecia os filmes de Jodorowsky. À medida que Pedro e eu continuavamos a dialogar sobre os dois artistas, se havia ou não uma ligação pessoal, na minha cabeça uma se formou. O meu interesse atingiu seu ponto máximo estudando a obra de Tunga mais profundamente. Durante minha pesquisa, ele assumiu a presença performática do Mago no tarô, varinha na mão, em perfeito intercâmbio dos meios, seu trabalho oferecia um estado hipnótico suspenso à medida que nossas idéias evoluíam.

O conhecimento de Pedro em filosofia e o meu em ciências ocultas e tarô (sou bisneta de um conhecido vidente e leitor de tarô finlandês), tornou-se o alicerce para a nossa conversa continuada. No começo da primavera, fui a Paris para uma visita ao estúdio de Alejandro Jodorowsky e de sua esposa Pascale Montandon (artista e colaboradora de Alejandro). Lá discutimos beleza e sinceridade na arte, as propriedades curativas da obra psicomágica de Alejandro, e o novo filme, The Dance of Reality (A Dança da Realidade), que ele estava prestes a começar a filmar em locação na semana seguinte em sua cidade natal, Tocopilla, Chile.

Logo após, Pedro e eu gravitamos ao redor da obra poderosa e enigmática de James Lee Byars; e por acaso, Tunga e eu percebemos que compartilhamos um ponto de grande admiração simbiótica por Byars. Ao invés da curadoria desta exposição, Pedro e eu pareciamos ser como forças de orientação de um processo que tinha vida própria – como de desdobramento de artistas e peças. Incluindo, o filme-transe de Maya Deren, Meshes of the Afternoon (Malhas da Tarde), que usa símbolos como uma chave, uma faca, e espelhos para envolver uma viagem não-narrativa em um estado de sonho surrealista. Projeção de luz de Daniel Steegmann em um pequeno triângulo de ouro cria uma espécie de escultura virtual característica de sua preocupação com construções desmaterializadas – esculturas que existem nem aqui nem lá.

As pinturas extraordinárias de Thiago Martins de Melo continuavam a ressoar no meu subconsciente desde a minha primeira viagem ao Brasil há mais de um ano, era inevitável que sua divinação xamânica em pintura fosse vista e sentida dentro deste contexto. As intrigantes tapeçarias de parede de Sonia Gomes também me chamaram a atenção por evocar ao mesmo tempo algo que se assemelha por vezes a vísceras e por outras a objetos sagrados. Pouco tempo depois, folheando o novo livro de Francesco Clemente sobre a sua série de setenta e oito pinturas e desenhos de um baralho de tarô, ficou claro que Clemente tinha se inspirado na intensa pesquisa e trabalho de uma vida inteira de Alejandro sobre o tarô, a partir de seu uso de citações e referências históricas ao longo do livro.

Esta miríade de camadas de influência se tornou a nossa cola, o que me levou a lembrar o livro de Duchamp de 1936 em colaboração com Georges Hugnet chamado The Seventh Side of the Die (O Sétimo Lado do Dado), cujo título descreve perfeitamente o que esperávamos projetar como a intersecção dos artistas em Alphabet of the Magi. O sétimo lado é o lado invisível, aquele que não se pode ver. Nós acreditamos em sua existência, o que por sua vez, nos permite dar um sopro de vida a estas manifestações chamadas de arte, sondando as profundezas, e a jornada ao sublime.


– Jen DeNike, NYC, agosto 2012

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