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Celso Renato

11/04 2015 – 23/05 2015


A Mendes Wood DM tem o prazer em apresentar a primeira mostra individual do artista mineiro Celso Renato (1919 – 1992) ao longo dos últimos 20 anos. Sua carreira como artista começou em sua meia idade, sendo a partir da década de 70 e 80 o momento em que seu trabalho ganha a dimensão e a relevância que o consagrou. Os trabalhos presentes na exposição permeiam esse período de sua produção, sendo a obra mais recente do inicio da década de 90.

Ao lado de Amilcar de Castro (1920 – 2002), Celso Renato é considerado um dos mais particulares artistas em diálogo com a tradição construtiva Mineira. Sua produção artística começa com forte influência da abstração informal, trabalhando sobre telas de grande dimensão preenchidas por formas arrojadas e pelo uso vívido das cores. É porém, no momento em que começa a trabalhar princípios da geometria abstrata sobre madeira, que Celso Renato modifica seus rumos e ganha um nova posição como artista.

Renato passa, aos poucos, a substituir a tela pela madeira como suporte de suas pinturas; tapumes de construção civil, tábuas velhas, restos de madeiras encontrados em canteiros de obras – nunca comprados – vão se tornando o foco de suas premissas criativas. Assim como Gordon Matta-Clark (1943 – 1978) em suas esculturas a partir de recortes de casas inteiras – anarquiteturas –, Celso Renato abraçava a cidade para construir suas obras, abraçava sobretudo o que a cidade jogava fora na sua construção e lhe concedia um novo significado, tanto plástico quanto subjetivo. Pouco a pouco, as manchas e os grafismos gestuais dão lugar a registros formais geométricos que despontam como índice de outra concepção espacial. Nos anos 1980, dedica-se exclusivamente ao trabalho sobre madeira de construção, que lhe proporciona um convite a 17ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1983. Esse uso da madeira faz com que a própria noção espacial em seus trabalhos se transforme, tomando formas que remetem a padrões tribais – referências indígenas e africanas -, bem como as cores, que tornam-se mais densas e escuras, com um uso constante do vermelho, do branco e do preto.

Uma vez que o material utilizado já possui em si texturas, falhas e formatos variáveis, é significativa a singularidade de suas obras. Renato explorava pedaços lascados, e certas falhas na madeira, de forma a criar uma simbiose entre sua proposta geométrica da pintura e a própria organicidade do suporte. Não é, portanto, uma geometria aritmética e calculada que constrói suas composições, mas sim uma geometria orgânica e texturizada, alimentada pelo seu próprio suporte transformado em elemento eminentemente plástico.

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