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Companions

24/06 2012 – 04/08 2012


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Companions a primeira exposição individual do artista americano Steve Locke no Brasil. A exposição evidencia uma discussão pouco explorada no Brasil: arquétipos de beleza e forma física em relação à minoria negra homossexual. Neste trabalho, a imaginação do homem negro está disponível para a colonização no homem branco, demonstrando um desejo oculto pelo outro. Estas pequenas pinturas representam o enquadrar desses instantes do olhar onde a atração acontece.

O artista confronta questões de auto-depreciação e negação com uma dose do burlesco, do campestre, do teatral. O trabalho de Locke segue uma linhagem de artistas que trabalharam, educados pelo feminismo, com questões de identidade e sexualidade, como Jurgen Klauke, Robert Mapplethorpe ou Bjorn Melhus. Ao abordar a fluidez do desejo, eles privilegiam questões de interssexualidade que permitem aos seus espectadores experienciarem uma alteridade sexual. Em Rrose Selavy, Duchamp brinca com Eros como fonte de alteridade “Rrose Selavy, Eros é vida, Rose ‘é a vida’”. Duchamp traz à tona uma noção do brincar, do teatro transformista, onde papéis são apropriados pelo artista, pelo ator, permitindo ao expectador experienciar esta alteridade.

De maneira análoga, Locke fala da sua vida erótica, como um campo energético onde a nossa identidade pode ser negociada tanto quanto na prática da arte. Um trabalho de Barbara Kruger, que também fala de intersexualidade, tem em seu título esta relação: Sem Título (Você constrói rituais complexos que lhe permitem tocar a pele de outros homens) do original, Untitled (You construct intricate rituals which allow you to touch the skin of other men).

Em Locke essa liberdade é alcançada através do olhar, enquanto seus protagonistas se encontram em situações cotidianas, onde nasce a tenção libidinal – bem como o espaço do desejo emoldurado pelo encontro com outros homens no espaço urbano. Umas das maiores preocupações de Steve é com o ‘ser o outro’, viver uma alteridade. O estado de liberdade tão procurado por Steve Locke ou Mapplethorpe é aquele no qual a identidade é mais fluida e permite as mais profundas experiências artísticas. Nas superfícies pictóricas de Locke estão representadas as superfícies dos corpos que ele se permite explorar.

Steve Locke é artista e Professor no departamento de Art Education da Massachusetts College of Art and Design, Boston. Expôs seus trabalhos no Boston Center For the Arts, Boston, no The Artists Foundation, Boston, no The Danforth Museum, Framingham, na Platform Gallery, Seattle, Ramona Studios, New York, e na Gallery Peopeo em Pequim, China. Locke é representado pela Samsøn, Boston, onde está expondo a mostra you don’t deserve me. (em exibição até o dia 21 de julho). Em agosto de 2013, o artista terá uma mostra individual no Institute of Contemporary Art, Boston.

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