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08-04 – 14/06 2017


Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual da artista italiana Dadamaino no Brasil. Como uma das poucas mulheres no ambiente artístico da época, a artista se posicionou como uma voz poderosa no contexto das atuais transformações sociais e culturais, em diálogo direto com os círculos artísticos da Europa pós-guerra, como Zero em Duesseldorf e Azimut em Milão. A exposição exibe trabalhos realizados entre os anos 1958-1960, da série Volumi. São telas monocromáticas compostas por furos elípticos. Com esta abordagem radical e ao mesmo tempo delicada, Dadamaino supera a pintura de cavalete tradicional – A tela não é mais o suporte, tornando-se eixo central do objeto de arte – afirmando o impulso decisivo pelo estudo da espacialidade. 

Em dado momento de sua carreira, sua pesquisa se volta para o vazio, o que está ao redor do espaço em branco. O estudo sobre a materialidade do invisível é central nessa série, que surge ao final da década de 1950, período em que Dadamaino abandona a academia de artes por divergir do tradicionalismo italiano. Após esse acontecimento, Edoarda Emilia Maino, se lança na busca do imaterial.

Seu gesto deliberadamente restrito aos cortes produz um vazio ressonante, a mesma relação que se tem o som no vácuo, se encontra entre a tinta e a falta de espaço a ser preenchido. Tencionando as relações de materiais e percepções ao invés de expressão ou intervenção. O espaço é ao mesmo tempo intacto e comprometido, a linha tênue entre o fazer e não fazer. 

O processo de cortar a tela pode implicar violência, mas a composição resultante é caracterizada pela extrema harmonia: um diálogo entre uma superfície monocromática e a ruptura dessa superfície. Seu trabalho carrega uma pureza formal, levando a pintura ao seu essencial. A aparente simplicidade é contrariada pelo estudo aprofundado de sombra e dimensionalidade. Ao mesmo tempo que a agressividade ao movimento de uma pintura tradicional é estabelecida, Dadamaino não tentava representar a destruição e muito menos a redução da pintura, pelo contrário, ela projeta um eloquente argumento visual para uma expansão radical do meio. O formalismo de Dadamaino vai além da ideia de distância, O seu ponto de partida é uma jornada de perspectiva, volumetria e contemplação que vai além do campo pictórico.

Ao reforçar a ideia de um espaço interrompido pelo vazio, a ausência, a existência de nada além da possibilidade de rompimento com o espaço-tempo. Esse pensamento é evidenciado em Il movimento delle cose, série de trabalhos realizados na sua fase de produção na d´cada de 1990, um trabalho dessa mesma série feito em tinta sobre poliéster, também faz parte da exposição. A tridimensionalidade presente na execução desta obra propõe uma espécie de melancolia, trata-se de um momento estático quando as estruturas físicas se tornam independentes do tempo.

Dadamaino (1930 – 2004, Milão) A artista participou de diversas exposições, sendo algumas delas: Nul, Stedelijk Museum, Amsterdam (1962); Art as Art, 39th Venice Biennale, Veneza, Itália (1980); Dadamaino, Padiglione d’Arte Contemporanea, Milan (1983); Future Dimension, 44th Venice Biennale, Veneza (1991); Dadamaino: Retrospektive, Bochum Museum, Bochum (2000);  Dadamaino, Tornabuoni Art, Paris (2013).

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