Vistas da exposição
1 de 3
Obras
Slideshow
1 de 15
Thumbnails
Texto

Do Avesso

09/28 2013 – 11/19 2013


A exposição recente de Paulo Monteiro é das mais inventivas. O artista desdobra as questões da sua obra em meios variados e tira significados novos das massas ingovernáveis com que trabalha há anos.

Algumas das telas são quase monocromáticas, tomadas por uma camada de tinta grossa que daria alguma homogeneidade ao plano. No entanto, Monteiro cria áreas menos espessas de tinta com o pincel. Desloca parte pequena da camada grossa para outro espaço. O deslocamento sutil, ao modo de Willys de Castro, retira a integridade da cor e a mostra na forma de um objeto sobre a tela. A tinta não é mais cor, adjetivo, mas coisa, substantivo. Mas isso não é vantagem pra ela.

Além de inverter constantemente o sentido das cores em suas pinturas e do molde em suas esculturas, ainda cria objetos que nos fazem olhar tiras de metal, papel e fita crepe, papelão pregos, cordas, papel laminado do avesso.

O artista sempre tirou proveito da relação tensa entre os contornos e as massas. Quando molda as suas esculturas, o artista revela mais as viscosidades e o aspecto escorregadio do material do que propriamente o conforma. Porque o molde, na história da arte, foi o meio de fazer uma matéria flexível ganhar definição estável, permanente da forma reconhecível.

Ao observarmos alguns dos pequenos relevos de parede, o gesto de moldar de Monteiro mais deforma uma forma simétrica, fazendo com que a massa vaze para os lados do que a conforma. Assim, ao invés do gesto trazer à tona a forma, nos mostra a matéria. Também opera por deslocamentos, faz com que estava embaixo vá para o alto, o que estava na frente vá para o verso.

Em esculturas mais antigas, o artista tratava essa relação como uma espécie de instabilidade: a forma parecia se desfazer. Como em uma gag, o artista tentava moldar algo que se desfazia. Nos novos trabalhos, a presença do material é forte. No entanto, por meio de deslocamentos sutis, Paulo Monteiro nos faz perceber as coisas pelo avesso, como uma folha de crepe supostamente colada por fitas de papel sulfite.

Paulo Monteiro (1961, São Paulo) vive e trabalha em São Paulo e é formado em Artes Visuais pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Suas obras foram destaque em mostras como: Casa 7, Pivô, São Paulo (2015); Empty House Casa Vazia, Luhring Augustine, New York (2015), Paintings on Paper, David Zwirner, New York (2014); Where Were You, Lisson Gallery, Londres (2014); 22 Bienal de São Paulo (1994) e 18a Bienal de São Paulo (1985). Seu trabalho integra inúmeras coleções permanentes, incluindo: MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova York, MAM-SP Museu de Arte Moderna de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC-SP Museu de Arte Contemporânea de São Paulo; MAM-RJ Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Museu de Arte Contemporânea de Niterói.


– Tiago Mesquita

Menu