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25/11 2017 – 02/02 2018


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Eary Poise, a primeira exposição individual de Iulia Nistor em São Paulo. A artista apresenta suas novas pinturas sobre madeira. Esses trabalhos são o resultado de um método que consiste em sobrepor várias camadas de tinta e removê-las repetidamente por meio de pressões com papel e lixas. A negociação entre os atos de informar e descarregar a imagem e o processo de observação constante criam um campo sensível a partir do qual a artista destila gestos e formas carregados de significado.

O título da exposição, Eary Poise, faz referência ao fluido contido no ouvido interno que é responsável por nosso senso de equilíbrio. O neologismo eary evoca dois significados, dependendo se é lido ou ouvido: orelha, uma parte do nosso corpo que também é nosso órgão de audição; e eery, um adjetivo para algo estranho  A palavra poise, por outro lado, tem conotações diferentes em função do contexto em que é usada: ela pode descrever um estado de compostura, mas também uma condição de suspensão ou ainda a massa de metal usada na pesagem. Podemos encontrar uma pista desses significados divergentes na raiz etimológica da palavra, o termo em latim pensare, que significa pesar, comparar, pensar.  O título Eary Poise, portanto, destaca um aspecto das obras de Nistor, que relacionam o impulso inicial de uma pintura — um instante de desequilíbrio ou incerteza — às decisões metodológicas que são tomadas durante o processo da pintura. O corpo se torna o peso, o critério corporificado no processo de pensamento.

Nos dois últimos anos, Iulia Nistor tem desenvolvido Pieces of Evidence, um formato de pinturas que compartilham as mesmas dimensões e são pintadas com óleo sobre madeira. Seu impulso inicial é a sensação de incerteza ou desorientação provocada por uma situação, imagem ou pensamento. Ela começa por retratar o óbvio: uma impressão da sensação inicial. Depois de aplicar essa camada, ela subtrai da imagem, seja removendo partes da tinta ainda fresca com uma folha de papel ou, se a tinta estiver seca, lixando ou raspando o que é irrelevante. Em um longo processo de aplicação e remoção, ela dá seguimento a tudo que está relacionado à sensação primordial ou que surge durante a pintura. Como resultado, os fragmentos restantes das múltiplas camadas sedimentam e formam uma base. Uma vez que esse campo sensível é alcançado, uma forma, gesto ou composição carregada de significado pode emergir dele.

Nistor está interessada em investigar esses momentos de incerteza, porque eles geralmente indicam uma contradição ou ruptura entre o que é esperado e o que é percebido em uma dada situação. Uma ruptura que, por um momento, também separa um atributo de seu objeto, de uma maneira perceptível para os sentidos e não apenas teórica. Uma das principais questões aqui é como representar uma característica sem o objeto ao qual ela é atribuída.

O método dialético de aplicação e remoção é pensado para abstrair o atributo respectivo da situação ou contexto específico em que ele apareceu. As decisões durante essa negociação são baseadas em reações instintivas e tentam, portanto, acessar um conhecimento corporificado, em vez de seguir uma visão preconcebida.

Iulia Nistor (1985, Bucareste) vive e trabalha em Frankfurt am Main.
As exposições individuais da artista incluem: Canary in a coal mine, Plan B, Berlim (2017); Before Interpretation, Galeria Electroputere, Craiova (2015); .../.../..., Strabag Kunstforum, Viena (2015); (i)... (ii)... (iii)... (iv)..., Aiurart Contemporary Art Space, Bucareste (2014).
Seu trabalho foi apresentado em exposições coletivas como: Ella CB & Iulia Nistor, JOHAN, Frankfurt am Main (2017); Track Changes, Mendes Wood DM, São Paulo (2016); Gardeners Digest - The Yew, Societas Horti (CCA), Tbilisi (2016); The Real Kiss, JOHAN, Frankfurt am Main (2016); DIY Immortality Program (MTL II), Heute:, Nuremberg (2015); Into Black, Sala Tipografia, Bucareste (2015); Preisträgerausstellung, Strabag Kunstforum, Viena (2014); Escapes: Colony. Endocosmos. Ulysses. Unsent Postcards, Museu Guerra Junqueiro, Porto (2013).

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