Vistas da exposição
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Texto

11/09 2010 – 18/12 2010


Hernan Bas, Marcos Brias, Jen DeNike, Simon English, Terence Koh, Bruce LaBruce, Geórgia Sagri, Dean Sameshima, Carlos Sandoval de Leon, Christian Schoeler, Marina Perez Simão


Eu estava pensando em você, pensando na última vez que te vi, a última vez que fugi de casa. A última vez que ouvi você dizer, e Geórgia mencionou: “Put your mouth where your money is, put your money where your money is…”  desrespeitando seu juramento, fazendo dele um Rap, uma música que justapõe os significados de maneira conflituosa, da mesma origem, e transformando sua sentença em algo novo. Lembro de ter visto a sua canção em uma parede que se estendia ad infinitum, variando o ritmo enquanto se torna mais sexual, e sua voz faz-se clara, evoluindo numa miríade de signos.

As pinturas de Christian Schoeler são de certa maneira, um eco desta busca ou seu desejo… Esses meninos, maravilhosos, parecem saídos de revistas de moda, a tez descascando em camadas finas de tinta a óleo… Milhões de decisões confluindo, seus desejos ilimitados, livres, perambulando. Eles são captados neste momento em que a libido coloca-se à mercê do mundo e nos desdobramentos dos textos, onde as nomeações já não existem, e você está completamente exposto. Parece que esses meninos pararam, por um minuto, no seu último drink da noite para então cair em si: eles estão carentes. A carência é de alguma forma circular, parece que vai embora mas, apesar dos esforços, volta para buscá-los… Eles tomam conta de si próprios?

As palavras que você me deu talvez estejam presentes nessas esculturas de Carlos Sandoval de Leon: uma estrutura à prova de balas com restos de noites (roubadas ou escondidas) sendo ao mesmo tempo, o lugar do sexo, o lugar do ritual, o lugar do silêncio e o inalcançável enquanto enquadram o tabu de maneira um tanto Lampeduseana e Borgeanaao mesmo tempo concedendo autoridade verbal de maneira críptica. 

A partir daqui, a partir deste ponto, vejo obras de Hernan carregadas de fugas, carregadas de estratégias para lidar com o aspecto mutante do amor e da solidão, o vazio constitucional que forma desejos, desejo completamente fragmentado e que me assusta estupidamente, metamorfoseado numa nova versão de você. Essas paisagens românticas tão abstratas e variáveis pertencem a mim (ou àquele menino). Você ambivalente sobre aquele livro, aquela pincelada, o seu trabalho e o meu, te corrompendo para o centro do medo, ainda ali, nos aproximando. A proposta de Marina é lidar com o vazio; ela se esvazia pela pressão. Não nas obras em si, e sim pela dinâmica do papel nesta situação. Talvez a posição do desejo devesse tomar a posição do inativo, do passivo: “I was born in the desert, Been down for years, Jesus come closer... Think my time is near...” [1]

As poesias de Marcos catapultam uma linha de proposições com a amplitude da estrada, a voz emigra (tornando-se Desejo-Pai, Pai-Desejo.) O que me lembra: você esteve sempre presente? Você estava, certamente no plano da especulação, discussão e tensão. Terence pode, sem dúvida, conjurar uma linha suja, um dogma que ressoa intrinsecamente na operação do fenômeno. A questão que ele propõem aqui, é uma espécie de esboço performático que aos poucos se transforma em “two sick, young fruits, drastic pursuits.” [2]

Então eu penso que as obras expostas nos levam de volta àquele momento em que desejo e pai se confundem, estendido e, sim, de repente, eu me dou conta: You are ashamed that I was a good friend of american soldiers. [3]


[1] PJ Harvey: To Bring You My Love, To Bring You My Love, Island Records, 1995.
[2] Rimbaud, Arthur: Jeune Goinfre (Young Glutton) Traduzido por Paul Schmidt, Harper Perennial Classics, 2000.
[3] Amos, Tori: Playboy Mommy, from the choirgirl hotel, Atlantic Records, 1998


– Diego Singh

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