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Francesca Woodman

23/06 2012 – 04/08 2012


Mendes Wood tem o prazer em apresentar a primeira exposição da artista americana Francesca Woodman no Brasil. O corpo de trabalho da artista exerce uma fascinação quase que desproporcional desde sua morte em 1981. As 27 fotografias que fazem parte da mostra foram produzidas entre 1972 e 1980. Incluindo um dos primeiros autorretratos da artista, nu e vagante pela floresta, feito enquanto ainda estava na escola interna em Massachusetts. As fotografias de Woodman são notáveis por sua força e urgência, assim como pela habilidade peculiar de convergir experimentalismo e classicismo.

A maior parte dessas imagens foram produzidas apartir de uma longa e lenta exposicão do filme fotográfico, revelando seus sujeitos (muitas vezes a própria Woodman) de forma indefinida e esfumacada. Essa própria carência de nitidez concede ao trabalho um ar de mistério, beirando o sobrenatural; o espectador é confrontado pela ambiguidade da representacão de uma figura que se move no espaco congelado, onde movimento borrado torna-se em si mesmo enormemente perplexo. Que corpo é esse, de onde vem e para onde vão?

Essa indeterminação aponta o desejo da artista em explorar algo fora das fotografias em si, como se na passagem do tempo, ela buscasse a fonte do movimento, e revelando dentro da definicão do frame um mundo aquém de sua materialidade. Há algo aqui, que excede o espaco real da existência dessas imagens, como a violência do tempo. E é assim que a artista problematiza a própria natureza do suporte, do gênero retrato, e de sua impossibilidade oscilante em descrever seus estados subjetivos.

Através de todo trabalho, o espectador é inundado pelo amor de Woodman à transformação. Sempre presente, a transformacão como tema atravessa essas imagens, indicando a possibilidade única do autorretrato como a representaçao da mudanca em si. Chris Townsend historiador que escreve sobre a artista, sugere que apartir da sabida adoracão de Woodman pelo poeta Ovídio, pode-se inferir que a obra de Woodman é como a prece de Dafne pela partida de Apolo, no livro 1 de Metamorfoses:

“ ‘Ajuda-me meu pai, se as tuas correntes tem virtude! Cubra-me, ó Mãe Terra! Destrua a beleza que me feriu, ou mude o corpo que destrói a minha vida.’ (…) Antes de sua oração terminar, o torpor apreendeu todo o seu corpo, e uma casca fina é fechada em torno de seu seio suave, seu cabelo tornou-se como folhas movediças, seus braços tornaram-se ramos agonizantes, e os pés virís fixaram-se como raízes que agarraram-se ao chão – seu rosto estava sombreado por um leque de folhas.”

Nascida em 1958 em Denver, Colorado, Francesca Woodman realizou grande parte de seu trabalho como estudante na Rhode Island School of Design (1975–1978) e depois enquanto vivia em Roma; Nova York; e em MacDowell Colony em New Hampshire. A artista viveu e trabalhou em Nova York até a sua morte em 1981.

O trabalho de Woodman foi amplamente exposto, incluindo abrangentes exposições no Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York (2012), e no San Francisco Museum of Modern Art, San Francisco (2011). Outros locais de exposição incluem a Pinakothek der Moderne, Munique (2008); o Museu de Arte Contemporânea, Chicago (2007); o Whitney Museum of American Art, New York (2006); e na Fondation Cartier Pour L’art Contemporain (1998). Seu trabalho está presente nas coleções permanentes do The Metropolitan Museum of Art, New York; The Whitney Museum of American Art, New York; The Museum of Modern Art, New York; e do Detroit Institute of Arts. O espólio da artista é representado pela Marian Goodman Gallery, em Nova York e Victoria Miro em Londres.

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