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12/08 – 16/09 2017


Um hall é um hall:

Um elemento arquitetônico que serve de divisão entre o núcleo de determinada edificação e seu exterior. O espaço imediato à entrada feito para recepcionar, que permite aos estranhos algum abrigo e aos familiares um primeiro contato antes do aconchego. Aqui a vitrine seduz, as cortinas editam, as formas se insinuam. O azul escuro avança das paredes. Uma escultura irradia no jardim. Um mamilo se estimula. Um Brancusi arde em chamas. Cada lance afia um enigma. 

Um hall é um hall.

No rastro do poder da imagem sobre sensações corporais e articulações sociais, Luiz Roque experimenta-se por diferentes territórios para então criar situações que propõem forte jogo de corpo. Como presenciamos nesta instalação sustentada por específicos recursos dramático-expositivos, o artista recolhe referências e combina recursos de variadas naturezas — do gênero sci-fi e do legado modernista à cultura pop e à biopolítica do corpo trans — para costurar enredos engenhosos e visualmente sensuais. Articulados por alegorias e revelados por uma plasticidade singular, seus contos ventilam leituras históricas e especulações, nos investindo incontornavelmente na direção de complexas questões cravadas no imaginário social dos dias de hoje.

A sensualidade de displays comercias ou museológicos disparam o elã inicial, preocupado em nos movimentar cinética e espiritualmente para muitos lados. Da parceria com a artista Erika Verzutti surge uma série de fotos que nos passeiam por cenários monocromáticos contrastados e personagens enigmáticos; do desejo de falar da natureza da cidade do Rio de Janeiro, surge um filme baseado no acidente que pôs fogo no Museu de Arte Moderna no ano de 1978, abordando também os arredores do Aterro do Flamengo e da vida que ali habita.

Na propulsão narrativa que toma lugar neste pequeno salão somos conduzidos por um vigor estético sempre a serviço de conjugações insólitas. Onde vibra a imagem há a dureza da vida, mas também arroubos românticos. Comentários consternados não impedem sopros de humor, nem a literalidade e a figuração asfixiam exercícios esotéricos e de abstração. Somos envoltos pelo esfíngico, pelo extravagante, mas também pelo prazeroso, pelo antigo.

Neste pequeno salão podemos nos alongar e nos aquecer no suspense anterior a escolha de qualquer caminho. Como se certo clima de boate fosse muito bem capaz de dar ignição a uma violenta marcha política.

Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979) vive e trabalha em São Paulo.
Exposições individuais recentes incluem HEAVEN, Tramway, Glasgow (2017); Anos Modernos, Mendes Wood DM, Bruxelas (2017); Ancestral, Centro Cultural São Paulo, São Paulo (2016).
Suas obras também foram apresentadas em mostras coletivas institucionais como Avenida Paulista,  MASP, São Paulo  (2017); 32 Bienal de São Paulo, São Paulo (2016); A Mão Negativa, EAV Parque Lage, Rio de Janeiro (2015); The Violet Crab, David Roberts Art Foundation, Londres (2015); The Brancusi Effect, Kunsthalle, Viena, (2014); 9 Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2013); Amor e ódio à Lygia Clark, Zacheta National Gallery of Art, Varsóvia (2013).

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