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Holzweg

03/03 2012 – 31/03 2012


Mendes Wood tem orgulho de apresentar Holzweg, a segunda exposição individual de Marina Simão na galeria. O espaço da exposição será ocupado com instalações de telas grandes e pequenas em pigmentos reflexivos e iridescentes sobre tecidos transparentes sobrepostos. O material de suporte das obras varia entre papéis orientais de fragilidade aparente – papéis normalmente usados em caligrafia na Coréia e Japão – e folhas de vinil, poliéster e plástico.

O título da exposição é uma adaptação de um termo emprestado do filósofo existencialista Martin Heidegger. Holzweg, que em alemão significa “caminhos no bosque”, é usado por Heidegger para transmitir uma idéia de caminhos que não levam a lugar nenhum, ou o simples ato de perambular em si. Marina Simão faz alusão a esta imagem do andarilho no bosque com um conjunto de pinturas retratando florestas maduras, cuja densidade obscurece a linearidade do horizonte, ou o destino conceitual. Em pinceladas experimentais e não retocadas, ela apresenta paisagens ao mesmo tempo familiares e estranhas, horizontes descontínuos de outro mundo que parecem iluminados por raios.

Os trabalhos reunidos em Holzweg lembram o provérbio monástico medieval “Não há caminhos…há apenas a viagem”, ou a estrada do espírito de Kierkegaard quando escreve: “Em um sentido físico, uma estrada é uma realidade externa, não importa se uma pessoa está andando sobre ela ou não, não importa como o indivíduo viaja nela – a estrada é a estrada. Mas no sentido espiritual, a estrada passa a existir apenas quando caminhamos sobre ela. Ou seja, a estrada é como ela é andada.” (P. 55, “Provocations”) Significativamente, as pinturas de Marina Simão são pinturas de pinturas, muitas vezes refeitas, resultado de um estudo prolongado e imperfeito de lembrança de uma imagem tema ou fonte. Como a voz da imagem original recua em ecos, a pintura em si ganha um silêncio, um vazio de sentido apresentado como um receptáculo em branco para a experiência do espectador. Marina Simão comenta: “Como eu pinto e repinto imagens emprestadas, não estou interessada em me apropriar do seu significado, mas sim, em ganhar a liberdade de passar por eles sem obstáculos”. Neste vazio recém descoberto o espectador e participante é convidado a caminhar e dar a estes trabalhos sem forma a estrutura de sua própria experiência. 

Marina Simão (1980) teve exposições recentes no Musée d’Art Moderne de Saint Etienne, França, Galleria delle Colonne, Parma, Itália, Palazzo Dei Falconieri, Roma, Itália, Museu de Arte de Daejeon, Daejeon, Coreia do Sul, Bienal de Ponzan, Poznan, Polônia, Museu de História Yugoslava, Belgrado, Sérvia e Crystal Palace Gallery, Museu da cidade do Porto, Porto, Portugal.

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