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Paulo Nazareth, Para Que No Encuentren Mis Huellas En El Desierto, 2012, video performance, 5’45”
Paulo Nazareth, Para Cuando Ellos me Busquen en el Desierto, 2012, video performance, 11’57”
Paulo Nazareth, 100 Dolars, 2015, video performance, 59’47”
Texto

18/09 2017 – 11/11 2017


Paulo Nazareth (1977, Brasil) frequentemente toma partido de sua herança cultural afro-brasileira e indígena para investigar construções sociais de raça e identidade. Celebrado por suas complexas performances de caminhadas realizadas ao longo de muitos anos – em sua andança de três anos do Brasil a Nova York (2009/12), Notícias de América, ele percorreu 19 países coletando poeira em seus pés e chinelos – Nazareth usa a metodologia da caminhada para realizar uma investigação lenta e em tempo real dos indivíduos que encontra na estrada. Dessa forma, ele traça uma rede de vínculos sutis e frequentemente periférica, que conecta não apenas indivíduos mas também comunidades e histórias compartilhadas.

INNOMINATE [INOMINADO] apresenta uma pequena coleção de trabalhos de seu projeto Cadernos de África – iniciado em 2013 e ainda em curso –, organizado em torno de diversas caminhadas pelas Américas e pelo continente africano. As instalações resultantes consistem em uma mistura de papéis efêmeros, desenhos e apropriações recolhidos e criados em suas viagens. Os Cadernos de África começaram na cozinha da mãe do artista, em uma favela nas redondezas de Belo Horizonte, como uma forma de esboçar o legado imaterial da diáspora africana nas Américas. Percorrendo esses três continentes, Nazareth pretende desvelar conexões ignoradas, da culinária às histórias, tradições e folclore. Não sei se querem usar o título em inglês ou uma tradução. Deixei entre colchetes para decidirem na edição.

A linguagem visual de Nazareth é fortemente semântica e, como tal, é rica em ambiguidades e metáforas. Os trabalhos desta exposição foram criados durante a residência de três meses do artista em Nova York (que foi devidamente dividida entre o sul dos Estados Unidos e a fronteira com o México) e estabelecem uma série de conexões entre as experiências de afrodescendentes nas Américas do Sul e do Norte. Os círculos brancos pintados que aparecem em seus desenhos são referências oportunas à fascinação geométrica do Neoconcretismo que dominou no Brasil a partir dos anos 1960 e ao fato de que os proponentes do movimento eram majoritariamente artistas brancos de origens sociais privilegiadas. A leitura contemporânea do círculo branco está ligada a um meio social que busca, de alguma forma, explorar a identidade negra para promover a moda e o estilo. Em outro nível, os pontos brancos fazem referência a um mito iorubá que Paulo ouviu em suas viagens na Nigéria e no Benin. E em um nível narrativo, os círculos brancos são os das penas das galinhas-d'angola; Após a abolição do comércio de escravos pela Grã-Bretanha em 1833, comerciantes espanhóis e portugueses de escravos colocavam galinhas-d'angola sobre carregamentos de escravos para despistar o barulho de quem estava embaixo para no caso de uma inspeção alfandegária.

As quatro esculturas colocadas em paletes de madeira ao longo da exposição parecem representar o peso desajeitado da história com uma imagem do próprio chão colocado sobre objetos de transporte, consumo e movimento. Ao quebrar a continuidade das vias removendo e apropriando antigos pavimentos em diversas localidades dos Estados Unidos e cuidadosamente equilibrando-os em sapatos, bengalas e melancias, Nazareth cria um retrato íntimo da opressão. Pendurada sobre tudo isso, uma jaqueta de flanela bordada é uma possível proteção ou solução — um espectro de comunidade e a força política da gentileza em face da adversidade. Dada ao artista por um estranho quando ele dormia nas ruas de Nova York em uma noite fria de primavera, a jaqueta está colocada como um lembrete de que a violência histórica e a marginalização de uma identidade minoritária podem ser desfeitas apenas pela sutileza do contato humano direto.

A coleção de vídeos da exposição ajuda a criar uma imagem mais completa da produção de Nazareth na estrada, da África Ocidental à fronteira entre México e Estados Unidos e, mais recentemente, seu trabalho em torno do apartheid na cidade de Soweto, na África do Sul.

Nazareth vive e trabalha ao redor do mundo, em um constante estado de trânsito. Paulo Nazareth participará da próxima New Orleans Triennial, Nova Orleans (2017). Suas exposições mais recentes incluem Old Hope, Mendes Wood DM, São Paulo, Brasil (2017), Genocide in Americas, Meyer Riegger Gallery, Berlim, Alemanha (2015), Journal, Institute for Contemporary Arts, Londres (2014) e Premium Bananas, MASP (Museu de Arte de São Paulo) (2013). Exposições coletivas recentes incluem New Shamans/Novos Xamãs: Brazilian Artists, Rubell Family Collection, Miami, EUA (2016), Indigenous Voices, Pavilhão Latinoamericano da 56a Bienal de Veneza, Veneza, Itália (2015), The Encyclopedic Palace, 55a Bienal de Veneza, Veneza, Itália (2013) e Museum as Hub: Walking Drifting Dragging, New Museum, Nova York, EUA, (2013).

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