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 Antonio Obá Sambaqui
antonio obá pregação
sobre pisar em ovos obá
antonio obá sem titulo
aquarela obá
obá em nova york
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 Antonio Obá Sambaqui
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01/05 – 22/06 2018


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar “Pele de Dentro”, a primeira exposição individual de Antonio Obá em Nova York. Nascido em 1983, emCeilândia, Brasil, Obá investiga construções na cultura e tradição religiosa brasileira para questionar e se reconciliar simultaneamente com sua própria linhagem, corpo e identidade. Pele de Dentro apresenta uma visão altamente íntima da auto-percepção do artista, partindo de seus pensamentos mais íntimos para encontrar a fruição formal. O resultado é um corpo continuamente fraturado, recombinado e revelado, refletindo raça, assimilação e rito.

Em seus desenhos, pinturas, performances e instalações, Obá ativa uma sacralidade cotidiana que é mais comumente notada no uso da iconografia litúrgica judaico-cristã. No entanto, em uma inspeção mais detalhada, revelam-se as camadas do africanismo, mais precisamente situadas entre as heranças espirituais e culturais dos povos Iorubá e Bacongo. Por meio de pesquisas inflexíveis sobre o sincretismo religioso, o trabalho de Obá alude à violência inerente à fusão de várias práticas espirituais e explora sua própria herança multirracial, que é amplamente compartilhada pela maioria dos brasileiros.

Sambaqui (2018), a instalação central desta exposição, recria os montes de conchas usadas como locais de sepultamento por populações pré-colombianas no sul do Brasil e levam seu nome à palavra Tupi brasileira, que significa monte de conchas. Obá reintroduz o motivo da concha ao longo desta exposição, referenciando seu uso em jogos de adivinhação e como moeda na África Ocidental até o século XIX .Obá frequentemente se volta para seu próprio corpo como método e sujeito de seu trabalho, no entanto, essa relação simbiótica foi fraturada de maneira angustiante após inúmeras ameaças de morte que a arte recebeu de grupos religiosos de direita em resposta às suas performances em 2017.Eventualmente forçando o artista a no Brasil e no exílio auto-imposto em Bruxelas eLondres, tornou-se cada vez mais importante para ele re-articular sua relação com seu corpo e ser.

O artista literalmente confisca seu próprio reflexo de obras como “Sobre pisar em ovos” (2017), da série Atmosfera com espelhos. Falando nessa obstrução do eu, o espelho é substituído por uma ausência enferrujada, semelhante a carne. Incapaz de unir-se a todo o seu ser, as sugestões e lascas do corpo do artista emergem como sombras do vazio de luz que torna o espelho tão opaco quanto os pés pendurados ao seu redor. Obá continuou enfrentando a ameaça à sua agência corporal e criativa, embora desconfortavelmente reconhecesse que sua expulsão do Brasil foi em grande parte provocada por suas próprias mãos. Portanto, era importante para ele fazer obras de arte com as mãos enquanto estava no exterior. Pinturas como Untitled (2018), que mostra um corpo negro com os braços cortados nos cotovelos, põem em evidência o relacionamento preso do artista com seu próprio ser. Pássaros em forma de mão voam ao redor da figura referenciando a prática de cortar as mãos dos escravos como punição, e também retornando ao tema recorrente do pássaro como simbolizando um espírito livre.

A tensão entre a luz e a sombra permeia esta exposição, inspirando-se em seu tempo na Europa, quando o artista navegava consistentemente não apenas nas noites mais escuras e no pôr-do-sol, mas também em uma sensação de deslocamento. Figuras semelhantes à sua sombra são um gesto poético e uma busca pelo interior, o espaço emocional íntimo abaixo da fisicalidade exterior. O tom sombrio dessas figuras obscuras não é concebido como uma característica necessariamente negativa, mas é uma oportunidade de examinar o território do espaço oculto e profundamente pessoal. As aquarelas de Obá retratam figuras humanas, cada uma esporadicamente concebida através de sua pura exploração do meio. A tinta parece se espalhar livremente pelo papel, como raízes ou veias inchando naturalmente por caminhos desenfreados. Mas é claro que são corpos precisamente formulados que emergem em suas camadas escuras de um abismo branco para mostrar uma fisicalidade quase completa, à medida que Obá se aproxima de uma representação totalmente reconciliada de um corpo e um espírito.

Antônio Obá (Ceilândia, 1983) vive e trabalha em Brasília.
Suas exposições incluem Histórias Afro-Atlânticas, MASP / Tomie Ohtake, São Paulo (2018); Arte Democracia Utopia - quem não luta tá morto, MAR, Rio de janeiro (2018); Pele de Dentro, Mendes Wood DM, Nova York (2018); Pipa Prize 2017, MAM-Rio, Rio de Janeiro (2017); entre, Casa da américa Latina, Brasília (2016); My body is a cage, Galeria Luciana Caravello, Rio de Janeiro (2016); ONDEANDAAONDA, Museu Nacional da República, Brasília (2015); OCUPAÇÃO, Elefante Centro Cultural, Brasília (2014); Impermanências, Galeria de Arte Dulcina de Moraes, Brasília (2008); Sob o signo de um novo olhar, Centro cultural do SESI, Brasília (2003).

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