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Plantation

12/05 2012 – 16/06 2012


Mendes Wood tem o prazer de anunciar Plantation, a primeira exposição individual do artista paulistano Adriano Costa. Em Plantation, Costa une um conjunto de esculturas em tecido, concreto, metal e plástico, alternadamente embelezando e desnudando cada material com destreza poética. Sua produção mais recente engloba diversas mídias – toalhas de banho, guarda-chuvas, cortinas – e usa como ponto de partida o potencial de florescer dos objetos do dia-a-dia.

O título da exposição ressoa tanto com as origens do modelo exploratório europeu na era colonial Americana – e, por contiguidade, a imposição de uma dimensão econômica ao mundo natural – como com questões atuais nativas do Brasil. Pés de cana em bronze, concreto e alumínio demarcam uma das paredes da exposição; esculturas verticais feitas de plástico, concreto e tecido nos faz lembrar de pássaros ou plantas, e ganham um caráter simbólico daquilo que é exótico ou tropical.

A justaposição de elementos do artesanato (crochê, tricot, tear) e preocupações formais geométricas da arte minimalista, conceitos de natureza antagônicas, são usados pelo artista com o intuito de iniciar uma possível discussão sobre a posição estética do Brasil de hoje.

Este fato é fortemente percebido nas obras feitas com sacos de lixo e feltro, nas quais forma encontra reflexão em estudos de artistas como Lygia Pape e Hélio Oiticica. Neste trabalho, cor, forma e espaço são testados e experimentados de maneira viva, e, como as peças são apresentadas informalmente, completamente soltas no chão, trazem à tona questões do anti-monumental.

São peças que, como os Bichos de Lygia Clark, permeiam e refletem sobre sistemas ideológicos de valor, embora mantenham suas qualidades orgânicas, sua pureza e sua simplicidade mundana. Em Plantation ouvimos ecos de uma passagem do Manifesto Neoconcreto do poeta Ferreira Gullar, publicado em 1959 no Jornal do Brasil:

“Não concebemos a obra de arte nem como máquina nem como objeto, mas como um quasicorpus, isto é, um ser cuja realidade não se esgota nas relações exteriores de seus elementos; um ser que, decomponível em partes pela análise, só se dá plenamente à abordagem direta, fenomenológica. Se tivéssemos que buscar um símile para a obra de arte, não o poderíamos encontrar, portanto, nem na máquina nem no objeto tomados objetivamente, mas nos organismos vivos.”

Em Plantation um sentimento de significância inspira o observador. A exposição desenha a germinação dos menores seres: a cana de açúcar, o florescer das toalhas e nenúfares de feltro. Costa dotou suas peças de uma casualidade tal que essa estranha coleção de detritos urbanos emite uma presença discreta. Aqui, a forma é usada para discutir a representação da auto expressão, da consciência no mundo material. O trabalho parece sugerir um viés animista para o universo das coisas – indicando pontos de contato entre o imanente e o transcendente.

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